Faculdades Privadas Substituem Fies Por Crédito Próprio

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Ofertado de modo direto pelas faculdades privadas aos estudantes, o crédito estudantil próprio vem sucedendo o Fies (Fundo de Financiamento Estudantil), programa do governo federal que custeia cursos de graduação em órgãos particulares de ensino.

Segundo dados, no tempo de três anos, a porcentagem de calouros universitários estudando com o financiamento oferecido pela própria faculdade quase dobrou:

  • Em 2014 a quantidade de alunos era de 14,4%;
  • Em 2017 o número já chegava a 28,3%;

Enquanto isso, na mesma época, o percentual de estudantes que ingressaram matriculados pelo contrato com o Fies caiu de 21,3% para 5,7%. É o que demonstra o Mapa do Ensino Superior no Brasil em 2019.

O panorama se torna completo com a queda severa na quantidade de contratos ofertados pelo Fies, após transformações nas normas do programa em 2015, visando atenuar a inadimplência dos alunos, pois desde 2014, a quantidade de devedores é maior que a de pagantes sem atraso.

No ápice do Fies, em 2014, foram 733 mil novas adesões de contratos. Mas no ano seguinte, o número despencou para 287 mil, sendo que em 2019 o total estipulado ficou em 100 mil vagas.

Crédito educativo próprio

O crédito educativo ofertado pelas instituições particulares opera como um amenizante para a diminuição do Fies. Pois se o estudante precisa pagar R$ 1 mil reais na mensalidade, ele pode optar por parcelar, dividindo esse valor em 50% enquanto estuda e 50% após a formatura, ou 30% agora e 70% depois de formado.

Dessa forma, o crédito não será terceirizado para nenhuma rede bancária e um curso de 4 anos será quitado pelo estudante em 8 anos, só que sem juros, pois a faculdade não é uma organização financeira.

No entanto, existe um reajuste anual na mensalidade. E quando for quitar a outra parte, ele pagará parte da parcela em vigor daquele curso. Portanto, se a mensalidade subir, o aluno pagará 70% de uma parcela maior. O grande problema é que as instituições de ensino não têm condições de fazer isso numa escala maior.

A solução perante a crise na educação universitária

Especialistas no assunto defendem o fortalecimento de uma política de estado para realizar financiamento estudantil. Por que atualmente, em torno de 75% dos alunos do ensino superior estão em faculdades particulares.

Onde de 2015 para 2017, a quantidade de estudantes matriculados em cursos presenciais na rede privada passou de 4,65 milhões para 4,81 milhões.

Mesmo assim, nada irá repor o Fies. Pois na ausência do Estado sobrará apenas um mínimo de crédito educativo privado, um financiamento bancário duvidoso, e o pouco de Fies que ainda tem. Uma pequena miscelânea de opções para dar ilusão, fazendo com que o estudante não desista de cursar o ensino superior.

O que o governo ainda não percebeu é que financiar a educação superior pode atrair mais renda, recolher maiores impostos e alavancar a economia através da mão de obra mais qualificada. De fato, a opção encontrada pelas faculdades particulares cobre mais riscos do que os ofertados pelo Fies anos antes.